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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Novo riquismo: Outros quinhentos

Já foi definido, pelo Tio do Algarve, o novo conceito de milionário. Para completar esta nova taxonomia da riqueza urge, por razões óbvias e decorrentes da nova classificação de milionário, definir o conceito de novo-rico.

Permitam-me os mais distraídos, um pequeno parêntese, sobre taxonomia. Taxonomia, é uma palavra que consta no Ticionário, com um significado novo: Taxonomia, palavra de origem inglesa é a classificação das vítimas dos impostos (tax, no original). Então, nesta nova taxonomia, se os pobres são os que ganham menos de quinhentos euros e os milionários são os que ganham mais de mil euros, os novos-ricos são os que ganham entre quinhentos e mil euros… Não são pobres, nem milionários. São ricos, mas como só muito recentemente chegaram a esse estatuto, são, obviamente, novos-ricos!

Estes novos-ricos também não vão ser poupados este ano, mas para o ano não escapam mesmo em nada. O novo-riquismo sempre foi motivo de chacota, quer dos muito e antigos ricos, quer dos pobres, novos ou antigos. Antes eram motivo de chacota, agora são chicoteados pelo governo…

Os que ganham menos de quinhentos são os pobres, e por isso estão excluídos destes novos impostos, concebidos para os ricos e novos-ricos.

Parece que também ficam excluídos os que ganham mais de quinhentos mil euros, em dois anos, se os receberem em duodécimos…Estes não são novo ricos nem milionários. São seres superiores, à margem das leis que regem o vil metal. São anjos, guardados por um arcanjo que se diz duplamente santo, ou seja ainda está para nascer quem seja mais santo que ele. Será daqui que vem a expressão santo de pau carunchoso?

Assim, esta é de facto a geração dos quinhentos euros, ordenado mensal auferido pelos velhos pobres e pelos recém-licenciados, os novos-ricos do conhecimento…

Os mais atentos reparam que há uma aparente lacuna nesta nova taxonomia: Os que ganham precisamente quinhentos euros, que tanto podem ser considerados pobres como novos-ricos! Esta situação é no entanto, propositada. Os que têm esse rendimento podem ser tudo o que os outros quiserem, em função da situação dos segundos e da necessidade dos primeiros…

São quinhentos euros, mas outros quinhentos… E, como sempre, os quinhentos quando chegam à conta bancária não são iguais para todos.


Nota sobre o uso do acordo ortográfico: Grafei (linda, esta palavra…) no início do texto “novo rico” sem hífen. À medida que fui escrevendo, pensei que se emprega o hífen, e passo a citar: “nos compostos em que entram, foneticamente distintos (e, portanto, com acentos gráficos, se os têm à parte), dois ou mais substantivos, ligados ou não por preposição ou outro elemento, um substantivo e um adjectivo, um adjectivo e um substantivo, dois adjectivos ou um adjectivo e um substantivo com valor adjectivo, uma forma verbal e um substantivo, duas formas verbais, ou ainda outras combinações de palavras, e em que o conjunto dos elementos, mantida a noção da composição, forma um sentido único ou uma aderência de sentidos”… Foi esta razão que me levou a usar o dito apêndice ortográfico.


A citação está devidamente identificada, e linkada (o k faz parte do nosso alfabeto), não se tratando por isso de plágio, ou tentativa de apropriação de propriedade intelectual de outrem… É de 1945? Nesse ano acabou a guerra mundial e eu nem era nascido (os pais - reparem que não uso o pronome possessivo - nem se conheciam, suponho que andariam na escola), mas deve ter sido um ano de muita alegria, em Paris e pelo mundo inteiro. Os factos citados não estão relacionados.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Excepção, exceção e excessão

Apesar do receio de me tornar aborrecido com estas postagens sobre o significado das palavras, à luz do dito Acordo Hortográfico e Urtografico, arrisco e decido continuar….Também me sinto um pouco compelido a tal, por razões que se prendem com as minhas relações afectivas com toda a pesada herança socretina e guterreica ou ponciana (do Pôncio Cavacus), em geral e muito em particular ao “Tratadão das Grafias, do Palavrão e das Sintaxias” (ler, por favor, com sotaque de português que passou uma semana em Fortaleza e já não se lembra como é que falava antes).

As três palavrinhas de hoje, são parónimas, não são homónimas nem homófonas e por isso não posso ser acusado de ser um perigoso fundamentalista, um sectário intolerante contra o prefixo homo. Tenho a certeza que as minhas leitoras e leitores já perceberam as minhas inclinações nesta matéria e espero que me aceitem como sou: Um hetero militante, um combatente em prol da diversidade. A língua é para ser usada de formas diferentes. Mas nada de modernices, como dizem os meus compadres do Alentejo, uniões de fato, sem fato, ou novidades ortográficas.

Depois deste devaneio com estas três meninas, a excepção, a exceção e a excessão, há que clarificar os conceitos, explicitar as diferenças… E deixemos o Menage para outra altura.

Excepção, é um substantivo do género feminino, significa um desvio da regra geral, uma restrição, um privilégio ou prerrogativa…

Exceção, é a forma brasileira da palavra excepção, não usada em Portugal, Angola Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Timor, Cabo Verde e Macau (em Macau pode usar-se exception). “Essa gatinha tem uma bundinha que é uma exceção”, ou “O Lula não foi exceção no caso mensalão”, são exemplos, imaginários, de utilização dessa palavra, que também é um substantivo comum (ou incomum, depende da bundinha) e do género feminino.

“Excessão”, como o sufixo indica é um excesso muito grande. Um exemplo claro de utilização desta palavra pode ser observado na frase seguinte: “ As reformas dos políticos: tem muitos excessos, é um verdadeiro ’Excessão’! Outro exemplo de utilização comum deste vocábulo: Bebeu shots até cair para o lado, foi um “Excessão” de shots. “Excessão” é um substantivo do género masculino, cujo plural é: “Excessões”.

E se alguém chegou aqui por engano, sem ser uma excepção, leu o textículo todo, deve saber que esta é a casa do Grande Irmão Contra o Acordo Ortográfico, Plano Tecnológico, Especialmente o Migalhães, SCUTS, TGVs, Aeroportos e Outras Tolices Que Tais Que Agora Temos Todos Que Pagar Com Língua de Pau. Eu prefiro pagar com o pau e a língua, mas em separado e em suaves prestações.

PS: Refira-me ao lápis com que escrevo estas postas e às ditas.

Disclaimer (Nota de reserva não discriminatória): Não tenho nada contra os paulistas, cariocas baianos, gaúchos, de Curitiba, Ceará, Natal, Belém do Pará ou de Manaus, mas não me obriguem a escrever como eles, porque nunca conseguirei fazê-lo…. Saravá, meus irmãos aí desse lado do atlântico!!!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Temporária

Esta palavra assume, desde ontem, novos significados que levaram à sua inclusão no Pacionário, o conhecido Dicionário da Paciência e do Paços, com ç, à antiga…Como sabem os meus leitores mais atentos este Pacionário é uma recolha de vocábulos empreendida pelo Tio do Algarve, publicada em adenda ao Ticionário, mas não faz parte dos neologismos da sua responsabilidade. Nesse compêndio o Tio apenas divulga as criações artísticas dos outros …

Temporária, no DILPAC, o Dicionário da Língua Portuguesa Antes do Acordo, significa coisa não duradoura, efémera, eventual, de curta duração. Um exemplo de utilização: “Esta medida de aumento do IVA para 21% é temporária”. E assim ficámos todos a saber que a aplicação dessa taxa de 21% duraria pouco tempo.

No Pacionário o significado é completamente diferente. Temporária significa uma coisa que aconteceu num determinado tempo, num momento concreto. Temporária, neste novo contexto, não tem qualquer ligação com a duração dos efeitos ou com o prolongamento no tempo da acção. O melhor exemplo que encontro para ilustrar este significado do vocábulo “temporária”, no novo Pacionário, é a frase: “O corte nos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos é uma medida temporária”.

É agora claro para quem me lê, que o que se pretende dizer é que esse corte ocorreu num determinado momento, num tempo concreto….

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Arquitetos e arquitetas

Depois da modesta, mas clara e concisa, explicação sobre tetos e tetas, eis que julgo haver necessidade de clarificar outros dois conceitos relacionados: O de arquiteto e de arquiteta, que de forma alguma se podem confundir como as parónimas, Arquitecto e Arquitecta. E quem disser que são homófonas, fica já excluído da guest list cá da casinha….

Sabendo que o prefixo “arqui” é um aumentativo, a explicação é simples e o significado fica ao alcance de todos…Uma arquiteta é uma teta muito grande, quiçá como tem acontecido na nossa república de Los Plátanos, para muitos filhos queridos. Arquiteto, como o nome indica, é um teto de grande amplitude, como tento mostrar na frase seguinte: “O teto salarial dos operadores de caixa das grandes superfícies é pequeno, contrariamente ao arquiteto salarial dos gestores de empresas públicas…”.

Poderá surgir a dúvida na utilização da palavra Arquitecto, que designa a profissão de alguém que exerce arquitectura (a organização do espaço e a definição das formas), ou dos seus derivados, e o neologismo arquiteto. Para que não restem quaisquer dúvidas depois da explicação anterior, aqui vai um exemplo para ilustrar a diferença de significado: “O arquiteto salarial das empresas públicas de transporte foi arquitectado por alguém que não teve em conta os interesses do comum dos cidadãos e do estado, mas apenas o bem-estar e o conforto material dos trabalhadores dessas empresas” Esta citação foi retirada de um trabalho académico do reputado (para alguém que chegue até aqui por engano, tenho que dizer que reputado não é aquele que anda com putas, mas o que tem reputação) investigador da Universidade do Allgarve, o Ti António de Olhão, da Armona e do Farol, na sua dissertação de Mestrado em Vela de Cruzeiro, com o sugestivo título: Lusitânia Perdida: vê-la a dormir ou à vela?”.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Banalizar e Bananalizar

Estas duas palavras, quase homógrafas e homófonas, estão muito relacionadas mas não são sinónimos. No entanto o uso repetido e excessivo da primeira conduz inevitavelmente à segunda…

Banalizar significa tornar banal, vulgarizar, de acordo com a generalidade dos dicionários, entendidos e peritos. Bananalizar, de acordo com o Ticionário é transformar em banana, ou seja, o que tem acontecido ao povo português nos últimos anos.

A banalização de situações extravagantes, de escândalos vários, de vergonhas gritantes, do nunca apurar das responsabilidades, leva a que o povo tenha deixado, não de pensar (isso acho que já foi há mais tempo), mas de agir ou mesmo de reagir. Bananalizaram-se as pessoas, enquanto se banalizavam os escândalos. E esta massa informe, apática e sem rumo e vontade própria ou alheia, vai agora ser frita ou flamejada com whisky ou rum e servida, com parcimónia, em qualquer sobremesa de restaurante da moda frequentado pela novel classe de dirigentes. Discretamente vão lamber a colher no fim, com um ar de culpa. Não pela bananalização, nem por lamber a colher, mas sim pela dieta quebrada…

Será daqui que vem o nome república das ditas?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Tias por afinidade


Tianamen – Tia que se sacrificou pelos outros
Tiara – Tia com coisas na cabeça
Timão – Tia que gosta de marcar direcções e rumos
Timão (2) – Tio amigo do Pumba (personagem de ficção)
Tiorema – Tia que raciocina, mas com erros
Tilenol – Tia que faz bem às dores de cabeça
Time – Tia que gosta de jogar em equipa
Time (2) – Tia que controla o tempo, na versão britânica
Tira – Tia que virou polícia no Brasil
Tirana – Tia muito mandona
Tigresa – Tia com garras afiadas
Chatinha – Tia um pouco aborrecida
Enxutinha – Tia um pouco mais velha mas ainda em forma

domingo, 14 de agosto de 2011

Sonho de fato

Acordo e levanto-me. Tem sido sempre assim. Às vezes durmo menos, outras vezes pouco ou nada, mas levanto-me sempre. Muitas vezes a vontade é pouca, mas consigo sempre.

Levanto-me e vejo nas costas de uma cadeira do meu quarto o seu fato de treino azul.

Já lá estava quando me deitei. E tem sido assim nos últimos tempos… Invariavelmente. Sempre no mesmo sítio.

Recordo os nossos projectos de caminhadas, de ginásio, de tudo… E nada. Mas continua lá o fato, deixado por umas horas, que ficou como se fizesse parte da decoração do quarto. É um projecto adiado. É um facto.

Projectos? Sonhos?

Visto o meu pijama, como se de um fato se tratasse. Ando de fato, sonho de facto. Andarei a sonhar?

Adormeço e sonho. É um fato de sonho…

sábado, 13 de agosto de 2011

Tetos e tetas. Pequenas subtilezas, grandes mamas.

Ao que parece, a palavra tecto e seus derivados passou, graças ao maldito, a escrever-se como teto. Digo ao que parece, porque não quero mesmo saber e, enquanto me deixarem, escreverei sempre tectos, para me referir a essa superfície que forma a parte superior de uma casa, ou ao limite máximo de uma certa variável como, por exemplo, tecto salarial.

Quando acordei esta manhã pensava assim, mas estava enganado! Afinal há uma lógica, apesar de muito pouco evidente, no famigerado dito e maldito Hacordo. Mas, confesso, só a percebi quando ouvi o nosso ministro das finanças, calmamente explicar a situação, em directo numa Entre-vista e pouco-ouvida com a Judite de Sousa.

E, diga-se em abono da verdade, foi calmo e conciso. E tentou explicar (apesar da JS – não confundir com a minha querida prima, sff - quase não ter deixado), a diferença entre orçamentar e executar um orçamento. Cumprir o orçamentado! Não fosse o Mestrado em Vela de Cruzeiro, talvez me assaltasse essa dúvida (assim sou assaltado doutra maneira). Traçar uma determinada rota e fácil, mais difícil é cumpri-la. Evidente, caro Watson... Enfim, deixo-me de devaneios e vou à questão fundamental.

Percebi finalmente a subtileza do Hacordo quando ouvi que havia um teto para o endividamento das empresas públicas e despesa pública. O oráculo da TVI mostrou, quiçá por engano, a palavra “tecto” em vez do que agora parece correcto “teto”. Ora os tetos não podem ser discriminados, e o correcto seria tetos e tetas, o que nos teria levado directamente para a conclusão que há tetos para alguns e tetas outros….

Assim fica tudo mais claro, uns ficam com os tetos, ou outros com as tetas. Será uma distribuição normal? E agora quem nos vai fazer os testes? Sai já um Kruskal-Wallis, ou chamem a troika, com urgência.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Facto ou fato?

Até agora sempre me tenho manifestado contra o acordo ortográfico. Até de forma activa, subscrevendo a causa no Facebook. E continuei quando percebi, como todos os outros subscritores, que não valiam nada as mais de 100.000 assinaturas digitais, porque a nossa sociedade digital e desmaterialização dos actos é de cartão canelado. Tem ar no interior e por fora, papel de embrulho. Iniciativas de cidadãos só em papel, que muitas vezes tem a função do habitualmente designado por higiénico…

Hoje encontrei outra vantagem no dito cujo, e que vem da ablação da letra “c” na palavra facto. Uso esta palavra – ablação – propositadamente, porque até hoje, me parecia uma violência que facto e fato se escrevessem da mesma maneira.

Hoje mudei de opinião. Na expressão “Facto Político” a palavra “Facto” deveria escrever-se sem “c”. Apenas nesta expressão. Os outros factos continuariam a ser naturalmente escritos com “c”.

A explicação para esta mudança de atitude é simples. Os políticos para majorar o tempo de antena, para se aguentarem na ribalta, para serem mais vezes citados nas redes sociais, na imprensa escrita enfim, para sobreviver como políticos, precisam de criar factos políticos. Os últimos governos foram pródigos em exemplos de factos políticos, o último deles – o famoso PEC 4 mas LEV 3, vai ficar na história da política portuguesa.

Pois bem, se por um lado precisam de factos políticos, por outro lado estão sempre a mudar de fato. O que me interessa agora é o sentido figurado, a mudança de papel para manter o estatuto. É o tipo que é antimilitarista, talvez até objector de consciência que vai para Ministro da Defesa, o outro que nunca trabalhou na vida (aplica-se a quase todos) que vai para Ministro do Trabalho, o que nunca entrou numa sala de aulas que vai para a Educação. Enfim, até seriam sustentáveis estas situações, mas o que dizer daquele que conhece o Algarve das férias na Balaia e é candidato pelo distrito de Faro? Ou do outro que ouviu falar do Arcebispo de Braga e se candidata por Braga? Ou do conhece a lenda do D. Fuas Roupinho e se candidata pela Nazaré? E quando nas eleições seguintes, o que se candidatou ao Parlamento Europeu aparece como candidato à Câmara de Faro? Ou de Braga? E a seguir aparece como cabeça de lista para a Assembleia da República por outro distrito qualquer? Não acredito que seja fruto da polivalência política. É do fato! Tira um, veste outro e subvertendo o dito popular, como tantas vezes os políticos fazem à vontade do povo: O fato faz o monge, neste caso o político! O facto faz o político, fato e facto são uma só realidade e uma só palavra. Por isso, no meu fato azul-escuro, vou passar a escrever fato político. E assim, ao usar o acordo, também mostro o que sinto pela classe, em geral.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Movimento Unidos do Dinheiro Internacional SA

O movimento conhecido como mudis, anunciou que nos vai dar outra ratada, ou seja cortar mais uns pontos na escala de rating, a escala das histórias do João Ratão e da carochinha.

No mesmo dia, o “commis” de cozinha, armado em cozinheiro malandreco do país do faz de conta (não confundir com o Chef Antoine, oncle de l’ Algarve de la mer d’ici), diz que vai tentar arranjar uma panela melhor para fazer os seus cozinhados e os dos amigos. Dados os seus esforços e bons resultados nestes anos de cozinha de plástico requentada, vão ser distinguidos com o prémio TACHO DE OURO, que distingue os mais criativos na história da carochinha e do João Ratão. Faltava-lhe um condimento essencial, o catalisador do sabor, o amuse bouche que faria salientar o seu pratinho. Encontrou-o. Era o famoso Peque Quatro, o ingrediente mistério que iria salvar o cozinhado horrível e queimado que nos obriga a comer há anos e que quer continuar a obrigar. Uma espécie de trevo de quatro folhas mágico, que iria resolver todos os problemas da cozinha portuguesa. Faltou o trevo, queimou-se o cozinhado e o tacho entornou. Três em um…

Hoje vi-o na televisão a dizer que gostava da cozinha italiana e oriental (será da estação do Oriente?). Quando percebeu (faltava o Luís…), tentou remediar dizendo que também gostava da alentejana, que era muito criativa, com coisas simples faziam pratos deliciosos, que antes eram vistos como pobres. É verdade. E come-se em restaurantes caros, frequentados pela clique política, os mesmos que fazem a transformação ao contrário, retirando valor a tudo quanto tocam…Uma espécie com relações familiares às sanguessugas empresariais a que já me referi.

A única esperança de salvar esta cozinha, é cortarem-nos o gás, que eles estão agarrados aos tachos e com o lume no máximo! Antes que isso aconteça e tenhamos que comer a comida fria durante décadas, sempre podemos expulsar esta brigada, formada nas novas oportunidades e alicerçada no oportunismo…Venham outros, svp.

Food on my brain, definitivamente. (Aproveito a frase da Eva, esperando que leia o meu francês em slow motion, para não dar azo a outras interpretações…)

E passando ao restaurante: Não vem mais vinho para esta mesa, hoje!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Lady Socratellium’s Use Everybody



Tivesse o Tio as capacidades do Vasco Palmeirim, não hesitaria em cantar esta versão dos Kings of Leon, dedicada especialmente a Lady Socratellium. Como não tenho, deixo-vos com o original da música e a minha letra. Como respeito os direitos de autor, fica já declarado que o original foi retirado daqui.

O título também teve uma pequena alteração, para o aproximar mais da personagem de Lady Socratellium…


Use Everybody

I've been roaming around
Always looking down at all I see
Tainted faces, fill the places I can't reach

You know that I can use anybody
You know that I can use somebody

Someone like you, and all you know, and how you speak
Countless suckers under cover of the street

You know that I can use somebody
You know that I can use everybody
Someone like you
Off in the night, while you sleep, I'm off to feast
Waging wars to shake the monster and the beast
I hope it's gonna make you know this
I hope it's gonna make you know this
Someone like me
Someone like me
Someone like me, somebody

I'm ready, I'm ready now
I'm ready now, I'm ready now
I'm ready now, I'm ready now
I'm ready now
Someone like you, anybody
Someone like you, somebody
Someone like you, everybody
I've been roaming around,
Always looking down at all I see
People voting again in me…

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Semelhanças pontuais e não discretas

My Barak

Our Barak

Oh Barak

Xô Barak?

Barak, Xô!

Muuu Barak

Barak Muuu!!!


Mas os Tugas são muito melhores: Os camones podem ter o Obama, mas nós temos o OMAMA e a barraca continua. Sempre!

E prometo que não escrevo mais nada sobre os Egícios. Agora só sobre os Egítios, os tios do mar Egeu.

Egito 3

Egito, Tugitas, Elegita, nósgitamos, Vocês gitam (Também diziam Vósgitais, os antigos) Elesgitam. Elesgitam porque não querem mais barakas no governo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Vantagens do acordo

Sempre ouvi dizer que mais vale um mau acordo que uma boa demanda. Até concordava, pelo arrastar de situações até ao cansaço ou à obsolescência dos motivos que, eventualmente, nos levariam a litigar. Até que surgiram estes dois, o da bonita cidade italiana e o da Hortografia, com h, porque vem de horto, neste caso concreto, terra de cultivo, onde as más ideias germinam, florescem e dão origem a matagais de ignorância e a florestas de estupidez.

Mas, eis que pelo oráculo da SIC, enquanto tomava café, veio a luz! Uma só palavra bastou para que me tornasse um feroz defensor dos ditos cujos (não pronuncio o nome, à semelhança do computador azul, outro fruto deste status quo). Recordei de imediato os bons tempos em que dedicava às actividades lectivas, e também as praias do país irmão, onde abundam as bundinhas firmes, que se enchem de celulite mal chegam, para ficar, ao jardim irmão plantado deste lado do atlântico…

Como se não bastasse o oráculo, pretendi falar na redução mamária, perdão, na redução do deficit, aquela coisa para além do qual havia vida, mas parece agora que só se for vida anaeróbia, porque ar é coisa que não existe por cá. Tiram-nos ar a pouco e pouco…
 
A palavra mágica em letras brancas sobre o típico fundo vermelho, sintetiza de forma tão brilhante o conceito, que nem quis saber do resto da frase. A empregada do café é que deve ter pensado que me deu um ataque de qualquer coisa má, tal foi a minha expressão de surpresa.

Quanto mais simples é o conceito, mais poderoso e, neste caso, não acredito num acaso, ou em qualquer devaneio do destino. Foi premeditado, de certeza. Como é possível que não fosse?

Subsetor, é a palavra que me fez vibrar de alegria e perceber, finalmente, as potencialidades desta fraternidade, deste ecumenismo cultural em torno da língua portuguesa e das licenciaturas de três anos, com dissertação incluída.

Setor, é o nome pelo qual os alunos chamam (provavelmente passará a ser chamão) os professores, num estágio imediatamente anterior ao de profe. “ O meu setor de Marketing é muito simpático e está sempre a dar exemplos de empresas reais”, era um tipo de frase que se podia ouvir, a propósito de um professor dessa disciplina. Um setor de actividade não é um professor no activo, mas sim um segmento profissional… Um subsector, estaria englobado num determinado sector. Um sub-tenente é um posto abaixo de tenente. O dito acordo veio democratizar estas diferenças e resolver uma questão extraordinariamente difícil: Como distinguir os licenciados pré-Veneza e pós-Florença? Com a palavra mágica SUBSETOR, um professor licenciado pelo acordo de Siena, com um milagre de Assis, em dois anos!

São licenciaturas, meu senhor, dirá a princesa de Inducação, quando lhe perguntam o que leva no regaço…

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Socras City

Não gosto de futebol e em especial de toda a entourage ligada a esse desporto…Estou-me nas tintas se a casa que determinado jogador do Porto tem no Algarve é melhor que a de outro do Benfica, ou se algum jogador do Sporting passa férias na Terra do Fogo. Não me incomoda absolutamente nada. Encontrá-los nos restaurantes, é improvável como também o é nos bares e afins. Quando acontece, como não os conheço, só dou por isso pela corte que os rodeia. Assim incomodam-me pouco. O que irrita mesmo são as pessoas que idolatram estes comportamentos extravagantes e que olham estas personagens com admiração.

Contextualizado o tema, devo dizer que a primeira vez que ouvi esta expressão “Socras City” imaginei que se tratasse de um estádio, com a forma de um pote, onde se cozinhassem umas valentes caldeiradas regadas com bom vinho da herdade do Jamé. Nesse recinto o jogo seria a “Grande Farra”, versão portuguesa e aportuguesada de “La Grande Bouffe ”, onde alguns comiam até rebentar e outros passassem fome. Erro tremendo.

Socras city é afinal uma espécie de bantustão (esta palavra é fantástica), não ao estilo de Sun City mas absolutamente virtual, onde a realidade não importa. O programa de desenvolvimento tecnológico veio possibilitar a criação desta nova realidade, cheia de oportunidades. Não importa o que se vê, nem o que se sente. Importa apenas o que alguém diz, e só ouve quem quer…Ganha quem conseguir apresentar melhor, representar com mais convicção e ser mais submisso (não fiquem com ideias, é a verdade…).

No início de cada jogo, escolhe-se um papel, à semelhança de uma conhecida cidade infantil, que existe no Dolce Vita Tejo, só que em Socras City, é a valer. Dependendo dos amigos pode progredir na carreira e até, ao fim de semana ou quando for oportuno, fazer um curso superior. As únicas acções obrigatórias são as aulas de artes dramáticas, de demagogia e de auto-estima. Os jantares de culto da personalidade são imprescindíveis para subir níveis no jogo, assim como a desfaçatez e o descaramento.

Em Socras City, nada acontece por acaso, se for positivo o personagem. É sempre fruto de uma estratégia de desenvolvimento, pensada a médio e longo prazo, mas que deu resultados até superiores ao esperado. Se correu mal, o contexto é que tem a culpa, como sempre.

Nada de novo em Socras City…É só um intervalo o jogo é o mesmo.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Vai tudo linamente…

Depois de vários rumores que indicavam este ex-ministro em vários lugares atractivos de empresas públicas, pouco pudicas em remunerações, eis que a surpresa do ano chegou.

Não se confirma que terá dito o célebre grito do Sorraia (versão remasterizada do grito do Ipiranga), quando surgiu esta possibilidade. Contudo fontes pouco fidedignas e geralmente mal informadas garantem que, quando foi sondado para o lugar, terá deixado escapar um dos seus famosos “jamais”, seguido de um “toujours” em voz baixa.

Se é estranho que um Engenheiro, apesar de ter mesmo o curso, ocupe o lugar de um Fiscalista? Claro que não, é perfeitamente natural! Há muitos juristas, como Directores de Produção de empresas de construção civil, no país dos títulos arrancados em portagens de auto-estradas e das licenciaturas tiradas por fax…E seguros, revisores oficiais de contas, Assembleias Gerais há em todas as Sociedades Anónimas… Don’t worry be happy!

Tenho pena que este engenheiro, célebre pelas suas citações, tenha substituído, um homem ímpar. Um homem livre, que nunca teve medo de dizer o que pensava, para além de Professor de Direito e um grande fiscalista, como foi o Prof. Saldanha Sanches. Aqui fica a sua última crónica, para quem não leu.

sábado, 1 de maio de 2010

Omo lava mais branco

Foi um slogan que ficou definitivamente marcado na memória de muitos portugueses, utilizadores ou não do produto da Unilever, como é o caso. Até porque nunca fui grande fan do produto, sem qualquer desprimor para a qualidade do mesmo, ou da eficácia do produto ou das campanhas que antecederam e se seguiram a esta, que classifico como intemporal, também pelo facto de não saber exactamente de quando data, nem querer, sequer saber. Não quero escrever uma dissertação sobre o tema…

Não gosto, por que tenho ideia que a embalagem é branca e tem uma espécie de arco-íris verde e vermelho, ou verde e encarnado, tanto faz… Então e o que acontece às outras cores? Ficam brancas? Tem que se tudo a branco e branco?

Não gosto porque branquear recorda-me sujo, sugere transformar algo que não era próprio (oui, la France, toujours…), numa coisa limpa, tipo paraíso fiscal, ou exportação para República das Bananas.

Não gosto por sugerir que os outros detergentes lavem menos branco, mas tanto me faz. Cada um usa o que gosta e que o faz mais feliz.

Não gosto porque também sou do tempo dos glutões e nessa altura tinha dúvidas sobre a sua existência. Hoje sei que os glutões existem…

Não uso, mas não tenho nada contra as pessoas que usam…desde que usem com moderação e deixem de esparramar nas caras dos outros que o fazem, tipo orgulho omo... E desde que nos deixem usar outros detergentes, eventualmente mais ecológicos, mais amigos do ambiente, ou não o sendo, que simplesmente gostemos mais. Afinal não vêm, quase todos, da mesma mãe e do mesmo pai?

Nunca experimentei, nem quero experimentar… E só agora percebi porque não tenho paciência nenhuma para conversas sobre detergentes. Acho que deve ter alguma coisa a ver com ascendência russa e os Bistrot…

Sou da geração Presto! Mas sem glutões, nem micro taed… Presto, ma non troppo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Roço, Marmelada e Pessegada

Se esta posta que imagino enquanto escrevo tivesse um sub-título seria qualquer coisa como: "Os efeitos do acordo ortográfico e o corrector automático do word". Se tivesse um resumo, ao estilo abstract seria: "da marmelada à pessegada, o autor explicita os diferentes efeitos do acordo ortográfico e das ferramentas de correcção automática, nas relações de gestão das empresas portuguesas do séc XXI"

Muito mais giro, profundo e interessante.

Suponho que o novo acordo ortográfico (e esse assunto já anda a pedir uma colherada), permita alguns novos advérbios terminados em mente, como também facilitará o uso do gerúndio na generalidade das frases, o que despertou esta vontade súbita de fazer discurso retórico sobre o assunto da marmelada.

Roço, não fez parte do léxico publicado há já muito tempo, porque se refere a uma actividade lúdica, também conhecida como marmelada. A palavra roço, do verbo roçar (ai, ai como é que isto vai acabar...) tinha gerúndio mas não terminava em mente. Não sou especialista em Língua Portuguesa, mas como todos os da minha geração e anteriores, mesmo não sabendo exctamente porquê, ou o nome da forma verbal, não uso formas verbais que não existem, nem invento substantivos (não me lembro que nome lhe dão agora). Sucede porém, que acredito piamente que o novo acordo ortográfico nos possibilita liberdades de expresão que antes nos eram vedadas. É o 25 de Abril da ortografia, da gramática e, porque não, da redacção!

E assim chegamos ao roçamento, palavra eventualmente derivada de roço, um atrito especial entre dois corpos e que devia ser consagrado pelo dito acordo. Roçamento, não rolamento, pois, pelo contrário, é maximização do atrito e não a minimização do atrito entre dois corpos...

E cheguei ao roçamento com a pressa de quem escreve mail atrás de mail, sem ler o que se escreve. Teria sido um acto falhado? Não sei. Sei que queria escrever Orçamento, mas saíu roçamento. Mais giro, mais criativo e muito mais agradável para quem lê: Junto envio proposta de Roçamento para 2010...O ano todo, já pensaram bem?

Acho que o meu corrector ortográfico ou é uma pessegada, ou então está vocacionado para estes assuntos de marmelada...

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